¿Uma escola de Lego?

Na procura da paixão criadora

"Yellow", uma das obras mais famosas de Natham Sawaya
"Yellow", uma das obras mais famosas de Natham Sawaya
13 DEZ 2016
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Seria óptimo que todas as escolas fossem escolas de Lego; isso seria sinónimo de construção criativa e inovadora. E por que não começar desde já a conjugar o verbo “ legar”: Eu lego, tu legas, ele lega…” Vamos legar!!!” Quer dizer, vamos criar coisas novas!

Um bom principio seria pegar em símbolos, daqueles que comunicam com as nossas emoções, com a nossa alma e assim sendo é mais fácil transformá-los a nosso favor!

Se por exemplo gosta de ovos, pense na sua casa como um OVO! As tatuagens dizem-lhe alguma coisa ? Por que é que não tatua o seu carro? Sabe fazer origami ( figuras de papel)? E se as transformasse em verdadeiras jóias? Sempre a pensar em liberdade! Libertando as amarras dos hábitos e dos “mas”!

Sempre somando ideias e símbolos, multiplicando emoções de surpresa/ espanto e felicidade!

Tal poderia ser a nossa Escola de Lego, com um imaginário vivo, metáforas vivas e entusiasmo mil!

Sentir ao cubo! Potenciar ao máximo o criativo que há no Ser Humano! Loucura em arco-íris!

Desaprender a lógica dedutiva; desaprender a agressividade do impulso; desaprender o desconfiar de um acto de generosidade!

Aprender a SER!

É o papel da Psicologia da Arte fomentar a necessidade de confrontar o desejo com o preferível e o estranho. Será mesmo importante destacar a necessidade de passar pelo estranho para o reconhecimento da própria identidade. Ricoeur refere na sua obra Amor e justiça, que em ética, como em hermenêutica, será sempre a partir de obras que nos são estranhas que poderemos reapropriarmo-nos de nós mesmos. O próprio processo de reapropriação faz-se a partir de uma experiência de estranheza, do ser estranho a mim próprio, mas que eu vou tornando meu familiar próximo. Assim, a Psicologia da Arte que pretende aprofundar o auto-conhecimento, que passa pelo crivo da norma, que promove a liberdade, é uma escola dos sentidos, tem que passar pelo confronto com o estranho, pois a Arte para além de levar à descoberta de conflitos, deverá igualmente permitir encontrar uma saída para os impasses e dilemas que a vida apresenta. Deste modo, em termos morais, ao promovermos a liberdade e esse confronto com o estranho, estaremos igualmente a promover a liberdade como autolegislação, isto é, autonomia criativa.

É isto mesmo que o pintores como Munch ou Picasso, ou Paula Rego promovem com a abertura que tem relativamente ao espelho das infra-dimensões conotadas com a Loucura. A raiva, o desespero, a revolta, o esgar de desprezo, o gozo hilariante e ebriante das personagens retratadas conduzem-nos ao “ lar doce lar” do nosso corpo onde estranhas vozes co-habitam e assombram o nosso Eu.

Conhecer o outro já não é só acumular informações, sempre mais completas sobre um estranho e sobre os seus costumes, mas é participar na elaboração de um conhecimento comum, o que Ricoeur denominaria de “universais em contexto” (1991), um conceito que implica abertura e troca, em que as convicções são convidadas a elevar-se acima das convenções e aí os universais seriam reconhecidos “assim, o universal remeteria para uma percepção de uma existência humana partilhada. Em linguagem ricoeuriana, diríamos que a igualdade dos homens é sempre vivida na desigualdade das situações e do seu ser-no-mundo, numa cultura particular.” (Valadier 1998). A Loucura daqueles pintores faz parte da expressão quotidiana do ser humano; é testemunha das nossas vivências e conflitos e educa a nossa consciência no sentido de nos re-avaliarmos , a nós, aos nossos, valores e às escolhas das nossas atitudes.

Ao chegarmos ao momento da auto-interpretação e da auto-avaliação, percebemos o desdobramento das possibilidades facultado pelas “variações imaginativas” aquando do acto de pintar e podemos passar ao passo mais importante: a expressividade do Humano - Inovar criando e colar esse selo no envelope da História. Entremos 2017 a LEGAR!