Anita Malfatti: 100 Anos de Arte Moderna

8 fev — 30 abr 2017 no Museu de Arte Moderna em São Paulo, Brasil

"Paisagem dos Pirineus", 1926
"Paisagem dos Pirineus", 1926
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Na primeira metade do século XX, inúmeras mudanças marcaram o cenário cultural europeu. Essas transformações influenciaram novas escolas e estilos artísticos em diversos países, inclusivo no Brasil, sendo conhecido como “Movimento Modernista”. Os fundamentos do movimento refletiram-se na literatura, arquitetura, design, pintura, escultura, teatro e na música.

No Brasil, a denominada arte moderna, teve como marco a exposição das 53 obras de Anita Malfatti em Dezembro de 1917, em São Paulo. Embora muitos historiadores de arte a considerem como o estopim para a realização da Semana de Arte Moderna de 1922, a mostra causou bastante divergência na época. Após uma crítica do escritor Monteiro Lobato no jornal O Estado de São Paulo, cinco de suas obras que haviam sido compradas foram devolvidas. Felizmente, esse episódio não afetou de forma permanente a sua carreira.

Filha do engenheiro italiano Samuele Malfatti e da professora norte-americana Eleonora Elizabeth Krug, Anita Catarina Malfatti, foi concebida em 2 de Dezembro de 1889, na cidade de São Paulo. A artista nasceu com uma atrofia no braço e na mão direita, para a qual buscou tratamento durante anos, por fim, desenvolveu a escrita e o desenho com a mão esquerda. Após a morte do pai, sua mãe começou a lecionar idiomas, assim como, desenho e pintura para sustentar a família. Portanto, foi com a sua mãe que a artista aprendeu os fundamentos das artes plásticas.

Em 1910, financiada pelo seu tio e padrinho (Jorge Krug), Anita vai estudar artes na Alemanha; ingressando na Academia de Belas Artes de Berlim. Em 1914, então com 24 anos, a artista regressa ao Brasil onde monta a sua primeira exposição individual. No início de 1915, mais uma vez financiada por seu tio, Anita muda-se para os Estados Unidos e matricula-se na tradicional Art Student´s League.

Em meados de 1916, trazendo uma bagagem de influências modernistas, a artista retorna ao Brasil. Após a sua notória exposição de 1917, a artista continuou os seus estudos com pintores renomados, como: Pedro Alexandrino e George Fischer Elpons. Em 1922, Anita participou da Semana de Arte Moderna com 22 obras de sua autoria.

Na época, o ambiente artístico apresentava-se mais evoluído, com novos adeptos ao movimento modernista. Junto a Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e Tarsila do Amaral, Anita compunha o inseparável “Grupo dos Cinco”. Um ano mais tarde, ela embarca para a França, onde passa cinco anos em estudos. No final de 1929, a artista apresenta a sua quarta mostra individual. Além de pintora, desenhista, ilustradora e gravadora, Anita também trabalhou como professora. Em 6 de Novembro de 1964, aos 74 anos, a artista faleceu na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Com o intuito de comemorar o centenário da lendária exposição de Anita Malfatti, assim como, do Modernismo no Brasil, uma retrospectiva do trabalho da artista encontra-se no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Segundo a curadora da exposição, Regina Teixeira de Barros, “A idéia é apresentar uma Anita múltipla”.

A mostra “Anita Malfatti: 100 anos de Arte Moderna”, faz um rico traçado da produção da artista, sendo dividida em três fases. A primeira, apresenta os quadros que a aclamaram como formadora do modernismo brasileiro, com paisagens elaboradas mediante manchas de cores fortes e contrastantes, de um colorido não naturalista. Alguns exemplos são a pintura O Homem de Sete Cores (1915-1916), e os óleos sobre tela O Japonês (1915-1916) e O Farol (1915).

Na segunda fase, encontram-se obras produzidas durante a temporada de Anita em Paris, como: as pinturas a óleo Porto de Mônaco (1926) e Paisagem de Pirineus (1926), e as aquarelas Veneza, Canal (1924) e Vista do Fort Antoine em Mônaco (1925).

A última fase exibe os trabalhos realizados a partir da década de 30, onde temas populares predominam, como: retratos de amigos e familiares, e paisagens interioranas. Alguns exemplos, são: Trenzinho (1940), O Samba (1945) e Na Porta da Venda (1940-1950). Além dos quadros, fotografias, cartas, convites e catálogos também fazem parte da exposição. A mostra, com cerca de 70 obras da artista, estará aberta ao público até 30 de Abril.

Entrada: R$ 6,00 – gratuita aos Sábados.