O efeito borboleta

Como uma única ação nossa pode mudar o mundo inteiro

1 SETEMBRO 2016,
O efeito borboleta
O efeito borboleta

Tudo na vida tem dois lados. Duas facetas. Dois pontos de vista. Um equilíbrio. O Yng Yang dos chineses. E assim como existem determinadas ações, atitudes e decisões que podem fazer nos arrependermos pelo resto desta nossa existência, também existem ações, atitudes e decisões que podem mudar o mundo de uma forma qual nunca imaginamos.

Para que este artigo tenha sentido na ideia central qual pretendo explanar, eu sou obrigado a admitir que tenho uma péssima mania que é a de perceber coisas que não estão sendo utilizadas, tomá-las para mim sem a permissão do dono, e repassar como donativo para alguém que realmente vai utilizar.

Isso pode ser considerado roubo? Sim. É óbvio que isso é roubo. Isso pode ser considerado correto? Não. É óbvio que isto não é correto. Mas que se dane. É uma mania minha, e eu encaro mais ou menos como uma Síndrome de Robin Hood. Afinal, tudo no mundo tem uma função, e Energia não pode ficar estagnada. E foi numa destas que eu aprendi que uma única ação, atitude ou decisão nossa, por mais pequena que seja, pode mudar um mundo.

O meu pai tinha um saco de dormir verde debaixo da cama dele qual nunca havia utilizado. Eu lembro que aquele saco ficou uns dois anos lá parado, sem função nenhuma, apodrecendo com o tempo. Até que um dia o meu irmão, o Mocotó, me disse que estava precisando de um saco de dormir porque ele gostava muito de acampar e não tinha condições financeiras para comprar um.

Eu peguei o saco de dormir sem a permissão do meu pai, porque naquela época eu sabia que se eu pedisse ele não iria me dar. E diria que se eu desejasse então que comprasse um e que desse de presente. E sendo assim, um dia que eu estava na casa dele eu sorrateiramente peguei o saco de dormir e entreguei para o Mocotó, que utilizou por muito tempo (sendo que aquele saco de dormir era tão importante para o meu pai que até hoje ele não percebeu a falta dele).

Um dia o Mocotó decidiu virar índio e se mudar para o meio da floresta amazônica. E como era impossível conseguir um celular e um sinal na região que ele se encontrava, nós ficamos seis anos sem se falar. Mas um dia ele viajou para uma cidade vizinha e conseguiu um celular (e o sinal!) e me ligou. E esta foi a estória que ele me contou:

“Rafael, sabe aquele saco de dormir que tu me destes? Então, nós estávamos indo de um vilarejo para outro de barco, quando paramos em uma doca para dar carona para uma moça grávida. Já era noite, havia esfriado e o sereno começava a cair. De repente a mulher pariu o bebê no barco, e você acredita o que nós usamos para aquecer o bebê? O saco de dormir! Sim, nós usamos o saco de dormir para enrolar o bebê. Bom, eu espero que tu não fique brabo. Eu tive que jogar ele fora porque depois desta não tinha mais como usar.”

Ficou claro? Como eu poderia imaginar que aquele saco que não estava sendo utilizado por ninguém depois de ter sido pego debaixo da cama de meu pai salvaria a vida de um bebê dez anos depois no futuro? Na maioria das vezes não temos a mínima noção do que ocorrerá. Não conseguimos sequer imaginar o impacto. Possuímos uma sensação de que somos pequenos e insignificantes demais para que nossas pequenas e simples ações, atitudes e decisões tenham um efeito de grandiosidade no planeta. Mas pode sim ter a certeza, de que nossas pequenas ações, atitudes e decisões, podem sim mudar um mundo.