Preocupação, um hábito destrutivo

Gastar energia de uma maneira errada

12 SETEMBRO 2016,
Mulher preocupada
Mulher preocupada

Quantas vezes dá por si perdido em pensamentos, sem se concentrar devidamente na tarefa que tem em mãos ou até mesmo sem conseguir dormir, porque está preocupado com uma ou mil e uma coisas?

Viver preocupado tira-lhe energia para enfrentar os problemas e a descontração para aproveitar a vida. Contudo, pensar constantemente nos problemas e concentrar-se no que está mal na sua vida, na sociedade ou mesmo no mundo, não o vai ajudar a encontrar uma solução. Porque não?

Quando se foca no problema, a sua mente fecha-se para as possibilidades. Deixa de ser criativa e de procurar soluções. Fica focada. Focada no que está mal. Ora, a solução não está no problema, ou este não seria um problema. Está algures lá fora, e só se a sua mente estiver leve e descontraída é que se atreve a sair da sua zona de conforto e procurar soluções noutro lado. Sendo assim, viver constantemente preocupado é contraproducente.

A boa notícia é que há um método bastante simples para sair do estado de preocupação. Comece por deixar de pensar no seu problema como um problema. Tire-lhe a conotação negativa. Pense nele como uma situação para resolver. É apenas uma mudança de palavras, mas tem um efeito importante para desanuviar e desafiar a sua mente. Um puzzle não é um problema, certo? É um desafio à espera de ser resolvido.

Vamos a isso então. O truque está em triar os problemas, para poder agir em conformidade com cada um. Existem 3 zonas onde pode colocar o seu desafio: a de atuação, a de influência e a de preocupação.

Se a situação estiver situada na sua zona de atuação, tem capacidade para resolvê-la por si mesmo. Para isso, basta delinear uma estratégia e pôr mãos à obra. Se pode resolver o seu desafio, não desperdice energia a preocupar-se. Invista-a na procura da solução e na implementação da mesma. Veja, por exemplo, se a sua situação se altera positivamente se melhorar o seu currículo, a sua rede de contactos, a sua saúde, e/ou a forma como comunica e se apresenta aos outros. O que pode fazer já hoje para começar a resolver a sua situação? Resista à tentação do "podia fazer isto, mas...". Seja criativo e deixe-se de desculpas.

Por vezes, a resolução para o problema está dependente de outras pessoas. Nesse caso, pode influenciar a sua decisão de alguma forma? Pode argumentar, demonstrar empenho, munir-se de informação concreta que ajude a sua causa? Conhece alguém que possa interceder por si? Então o seu problema está na sua zona de influência e, mais do que preocupar-se, deve esforçar-se por influenciar os tomadores de decisão, para que decidam a seu favor.

Finalmente, existem aquelas situações sobre as quais não pode fazer nada. Estão totalmente fora da sua área de atuação e de influência. Por muito que se preocupe, nada vai mudar. E pior, vai gastar tempo e energia que podia estar a investir para resolver todas as questões que habitam as outras duas zonas.

Comece uma triagem de tudo o que tem andado a ocupar-lhe a mente nos últimos dias, meses ou até anos. Se está na sua zona de preocupação, esqueça. Foque-se em procurar soluções para aquilo que pode efetivamente mudar e implemente-as o mais depressa possível. Verá que a sua vida começa a mudar para melhor.

Note-se que o método é simples e não fácil. A dificuldade está em alterar o hábito enraizado da preocupação. Há quanto tempo vive preocupado, seja com o que for? Já nem se lembra da última vez que esteve tão relaxado que não lhe ocorria uma única preocupação? Pois é, preocupar-se tornou-se um hábito, repetido dia após dia. Felizmente, é possível mudá-lo! Para alterá-lo, necessita de reconhecer que tem este hábito e de começar a vigiar os seus pensamentos. Quando notar que está preocupado com alguma coisa, passe-a pela triagem, note em que zona se situa e aja ou pense noutra coisa.