As adversidades tornam-nos mais fortes

O caso de Viola Davis

12 ABRIL 2017,
Viola Davis
Viola Davis

Todos sabemos no nosso íntimo que as adversidades nos tornam mais fortes, porém, quando temos de as enfrentar, nem sempre nos lembramos que há uma saída mais à frente. Há uma luz ao fundo do túnel.

Exemplo vivo disso é Viola Davis, vencedora do Óscar para Melhor Atriz Secundária, em 2017. Apenas me apercebi da existência da atriz em Como Defender um Assassino e fiquei deveras impressionada com o seu talento, com a sua coragem para mostrar um lado tão destroçado e vulnerável, no seu papel de Annalise Keating. Achava incomum a sua capacidade para alternar entre uma personalidade tão forte e segura de si e simultaneamente tão deturpada, frágil e atroz, devido aos traumas do passado. Mal sabia eu que Viola tinha vivido uma infância e juventude ainda mais difíceis que as da sua própria personagem.

Cresceu numa família extremamente pobre, vivendo em barracas ou casas em ruínas. À noite, tinha de amarrar panos ao pescoço para evitar ser mordida pelos ratos. O seu pai era alcoólico e muito duro com os filhos, batendo inclusivamente na mãe. Muitas vezes, era na escola que tinha a sua única refeição do dia, vendo-se obrigada a vasculhar contentores do lixo e a roubar para comer mais alguma coisa. O seu percurso escolar foi marcado pelos seus desacatos e mau comportamento e pelo abuso que sofria por parte dos colegas. Quando conseguiu uma bolsa para estudar Inglês na faculdade, não se conseguiu enquadrar e acabou por desistir, entrando numa depressão profunda.

Viola afirmou que, quando se é pobre, não se tem escolha: “Temos de sonhar em grande ou então não sonhar sequer” e que tinha de representar para se sentir feliz. Acabou por se formar em representação e ser aceite na conceituada Juilliard, em Nova Iorque. Todavia, nem isso a tornou mais confiante, acreditando que nunca conseguiria sequer um papel secundário, por não ser bonita o suficiente.

Apesar de tudo isto, Viola tinha em si uma força vital que nunca a deixou desistir. Ia conseguindo papéis no teatro, mas nunca em televisão ou cinema, apesar de todas as audições que fazia. A fama chegou tardia, aos 45 anos e foi-se solidificando nos últimos anos.

Hoje, Viola Davis é uma mulher de sucesso, premiada pelo seu trabalho, com uma família feliz. É uma mulher extremamente forte e corajosa por partilhar o seu passado difícil com o mundo. Provavelmente porque sabe que, sem ele, não estaria onde está hoje. Sem as adversidades que a vida lhe colocou à frente, não conseguiria transmitir o mesmo sentimento, a mesma força, a mesma vulnerabilidade no ecrã.

Não escolhemos o que a vida nos coloca no caminho, mas escolhemos a forma como reagimos ao que aparece. Escolhemos sonhar em grande ou não sonhar. Tentar todas as vezes até conseguirmos, ou desistir. Lutar ou reclamar. E fazemos essa escolha não uma vez, mas todos os dias, porque cada dia conta. O que vai escolher hoje?