A sua produção nos Açores decorre, sem pausas, deste 1883. É a fábrica de chá mais antiga da Europa e está localizada na ilha de São Miguel, Açores, na Freguesia da Maia. O negócio familiar, que já leva cinco gerações, é fiel à tradição e mantém a sua produção com base em maquinaria do século XIX e XX.

Para além do chá verde, o chá preto aqui produzido é apreciado em larga escala, tanto na Região como nos países para onde é exportado, nomeadamente Alemanha, França, EUA e Canadá, mas principalmente no continente português.

Com cerca de 32 hectares, a vasta plantação de tons verde alcança uma vista fantástica sobre o mar e sobre a costa norte da ilha. Aqui faz-se as delícias dos apreciadores e dos curiosos, que fazem da Fábrica de Chá da Gorreana roteiro turístico obrigatório.

As primeiras sementes vieram do Brasil, trazidas pelo micaelense Jacinto Leite, por volta de 1823. A produção do chá começou, a partir daí, a ser impulsionada pela Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense que, em 1878, decidiu mandar dois chineses para a ilha para ensinarem as melhores técnicas da sua complexa preparação.

Todo o sucesso vindouro é conseguido graças à abnegação das sucessivas gerações familiares que, apesar de altos e baixos na produção e no negócio, fizeram da fábrica um marco e um exemplo da produção de chá na Europa.

O solo fértil, com uma humidade constante, a par do clima ameno, sem estações secas e chuvosas, são os ingredientes fundamentais para uma produção de alta qualidade, livre de pesticidas e herbicidas, que tornam a planta do chá - Camellia Sinensis - um produto de excelência.

Estas características atmosféricas são um dos pontos de partida para a qualidade do chá preto e do chá verde que a fábrica produz. O chá preto Pekoe, o Orange Pekoe, o Broken Leaf ou o chá verde original e Hysson são os principais produtos disponibilizados pela Gorreana.

O tipo de chá obtido está dependente do tratamento que se dá à folha deste produto, a Camellia Sinenses, sendo a partir daí que se selecionam os vários processos de fabrico, baseados num manuseamento tradicional e ortodoxo do produto.

Deste a recolha, passando pela secagem, escolha e embalagem (com alguns outros processos pelo meio), os diferentes tipos de Chá da Gorreana chegam ao mercado com um selo de produto único no mundo.

Há séculos que é conhecida a importância do chá, e quanto melhor a qualidade da Camellia Sinensis melhor serão os seus benefícios para a saúde.

Para além da característica ritualista do chá, muito marcada nas sociedades orientais, em particular na China e Japão, mas também no “chá das cinco” britânico, as suas substâncias únicas trazem para a saúde uma série de benefícios.

A ciência comprova que os flavonóides presentes no chá verde combatem o mau colesterol, a diabetes, tensão arterial alta a até alguns tipos de cancro, uma vez que funcionam como antioxidantes naturais, ao contrário dos produzidos laboratorialmente.

Para além disso, está na base de muitos costumes, tradições e modos de vida, principalmente nas sociedades asiáticas.

Entrar nas instalações da Fábrica de Chá da Gorreana é uma experiência prazerosa. A fábrica tem uma característica de museu vivo, com vasta história e tradição, mas, ao mesmo tempo, não abdica de alguma tecnologia e recurso a técnicas inovadoras na produção deste artigo consumido de oriente a ocidente.

Acima de tudo, a fábrica preza a transformação tradicional do produto e deixa de lado a produção em massa para privilegiar os costumes ancestrais como génese de um produto de referência.

Quer seja para começar o dia, para acompanhar uma boa refeição, para efeitos relaxantes e estimulantes ou apenas por prazer, o chá está presente na maioria das culturas mundiais.

É curioso que, sendo um produto ancestral, nunca passa de moda!