Amo animais, me relaciono muito melhor com eles do que com seres humanos. Cresci cercada por bichinhos de pelúcia e reais.

Lembro-me do primeiro pastor que me mostrou o caminho para sair de um matagal, graças a Deus que ele era um pastor alemão, estar num mato sem cachorro é complicado, mas eu estava com o Fly, lindo, me levou para casa por puro instinto. Lembro da alegria do Fly quando meu pai chegava em casa. Tinha o Kiko, um pequinês que adorava minha mãe, depois ganhamos a Laika, que não chegou ir à lua, mas teve que viver em um lugar maior depois que nos mudamos de nossa casa para um apartamento, foi complicado para um pastora alemã acostumada a correr como louca em um pátio viver em um apartamento por maior que ele fosse, Laika não se adaptou muito bem em viver perto da praia, encontrou a felicidade fora da cidade. Lembro-me de meus gatos que, me desculpen os amantes de cães (não se esqueçam que eu também amo os cachorros), gatos são seres maravilhosos, companheiros sem igual. Lembro-me do Mimi, um gato viralatas que gostava de brincar com os cachorros, não me lembro da morte de Mimi, mas ainda me lembro como outro grande e meu melhor amigo de todas as horas. Tisky ganhou seu nome em homenagem a um casal de professores da faculdade de jornalismo: Franz (filosofia) e Irene (psicologia). Eu amava suas aulas, e seus sobrenomes se tornaram os nomes de meu inesquecível amigo com quem eu compartilhei, além do travesseiro, alegrias e tristezas. Quantos livros ele derrubou da minha estante, quantas vezes Tisky foi um ser ousado e usado por Deus para me mostrar através da palavra as coisas que eu precisava entender. Quanto falta ainda me faz o meu gatão...

Assim que cheguei em Londres, em 2004, a Pearl, a gata dos meus grandes amigos Viviane e Tony, me adotou. Acordava com ela sobre a minha cabeça ronronando no meu ouvido, as três patinhas não eram impecilhos para que ela não corresse pela casa toda. Lembro do dia que esqueci a chave e não tive como entrar em casa. Pânico total. Preocupação comigo sobre o frio ou onde iria dormir? Nãooo, a neura era: a Pearl está sem comida!!! A solução, hoje cômica, foi colocar a comida pelo buraco da caixa de correspondencia na porta. Não preciso nem dizer como ficou o estado do lado de dentro da porta.... Fiquei no relento, mas a Pearl alimentada!

Gosto de estar com os “pets” sejam eles de onde for.

Durante a Copa do Mundo no Brasil fiquei na casa de uma amiga enquanto fazia a cobertura do evento para a TV Al Jazeera. Fazia mais de 10 anos que não via a Joana, gaúcha apaixonada por cerveja, café, Copacabana e óbvio, cachorros. Tive a alegria de conhecer o Zé, lindo, o velhinho e eu corríamos como loucos pelo apartamento da Barata Ribeiro, era uma festa, até que um dia o coração do Zé parou, e ele foi correr no céu dos dogs.

Em 2014 fui para uma cidade chamada Pafos, em Cyprus (em português Chipre), a ilha da beleza e do amor foi uma academia a céu aberto para meu emagrecimento. Mesmo longe das highlights de Londres, elas foram minha insPiração durante os 4 meses que morei la, tatuagem na alma não tem como apagar.

No condomínio onde fica a casa que morei, havia uma gatinha que infelizmente morreu recentemente; ela era companheira de algazarras dos meus melhores amigos: o Henry e o Maxi, dois cachorros que tiveram a alegria de serem adotados por um casal de ingleses. O Peter e a Colleen me apresentaram um dos lugares mais maravilhosos que tive a alegria de conhecer: Paws dog shelter.

Paws tem uma missão complicadíssima e gratificante: ser abrigo para mais de 140 cachorros que esperam por um lar, alguns deles vivem toda vida no local.

Chipre tem um grande número de animais abandonados. Pelas ruas da cidade é possivel ver gatos e cães soltos, sem donos. A estimativa é de 200 mil cachorros vivendo nas ruas do país e o número de gatos é maior ainda.

Duas vezes por semana, a Colleen é uma das voluntárias no Paws e não tive como não aceitar o convite dela para o voluntariado. E lá ia eu aos Domingos e Terças-feiras. Acordava `as 6 horas da matina, empolgada em ir para o abrigo dos cachorros debaixo de sol ou de chuva. Era uma festa onde eu era a convidada e eles os anfitriões. Lambidas, patadas, xixis, cocôs, sombra e água fresca, hora do almoço, caminhadas puxadas pelo ritmo da alegria de quem não tem noção que eu não tenho 4 pernas!!! Andar com um cachorro faz bem para o coração, para a mente e para o corpo, como diz a voluntária Susan Seymour: "Andar com um cachorro me mantém saudável, andamos com eles na praia quando o tempo não está tão quente, é muito, é muito gratificante", diz.

Cachorros são seres únicos e especiais não é a toa que em inglês a palavra dog ao contrário vira God.

A maioria das pessoas que adotam são da Alemanha e do Reino Unido. Além de adotarem, os alemães também ajudam com doação de ração. Manter um abrigo para cachorros é mais que uma missão: é um sacerdócio que ingleses, em sua maioria, abraçam. "Abriu-se um novo mundo para mim desde que comecei a trabalhar como voluntária aqui no abrigo, moro numa vila afastada e aqui eu também me socializo com outros voluntários", diz Geraldine Bristow.

O processo de adoção não é complicado. Os cachorros podem ser adotados por qualquer pessoa. Eles adquirem um passaporte próprio, são “cachorros "cidaCãos" cipriotas, fazem exames de saúde com um veterinário credenciado e pronto, rumo ao lar não temporário.

Posso dizer com toda certeza que Pafos é minha segunda ilha, e que sim, a terra por onde o apóstolo Paulo caminhou, a terra de Afrodites e Adonis (deuses da beleza e o amor), dois cachorros do Paws, fazem meu coração pós balzaquiano bater mais feliz em meio a lambidas e caminhadas. InsPira-me, oh Highlight!